O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho estão no centro de um debate acompanhado de perto pela Fecombustíveis. Para o presidente da entidade, James Thorp Neto, é importante considerar os impactos da mudança sobre os custos e a contratação de profissionais no setor de combustíveis.

“Dizem que a mudança da escala 6x1 é a manutenção do salário com a redução da jornada de trabalho, ou seja, quem não quer isso? Todos querem. Só que esquecem de mencionar que essa alteração vai aumentar a necessidade de contratação em todos os estabelecimentos”, afirma. Segundo ele, o aumento dos custos pode chegar ao consumidor. “Na verdade, o grande fator que esquecem de dizer é que o próprio trabalhador é quem vai pagar essa conta.”

Thorp Neto destaca que os postos já enfrentam dificuldades para contratar profissionais. “No nosso setor já existe hoje uma carência muito forte de mão de obra e muita dificuldade para contratar. Com a necessidade de alterar a escala, a situação ficará ainda pior”, avalia.

Entre as alternativas, a Fecombustíveis pretende apoiar os sindicatos nas negociações coletivas. A proposta, segundo o presidente, é ajudar os sindicatos a negociar com os trabalhadores alternativas para organizar as escalas, como o banco de horas e a jornada 12x36 em que o profissional trabalha por 12 horas e descansa pelas 36 horas seguintes. “Isso pode flexibilizar os modelos de escala que permitiriam aos postos continuarem funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana”, explica. Ele ressalta que a reorganização também pode aumentar a folha salarial dos estabelecimentos.

O presidente chama a atenção ainda para os cuidados com o cálculo das horas extras. Na jornada semanal de 40 horas, por exemplo, ele afirma que a escala 12x36 pode gerar cerca de uma hora e meia extra por semana, em comparação com o regime de 42 horas. “Essa fração precisa ser muito bem negociada nas convenções coletivas (CCT) para que as empresas cumpram suas obrigações e os funcionários recebam seus direitos”, diz. Segundo ele, a negociação também é importante para evitar passivos trabalhistas futuros.

Outra alternativa defendida pela Federação é a adoção do autoatendimento nos postos. A Fecombustíveis apoia um projeto de lei do senador Jaime Bagattoli (RO) que prevê a possibilidade de até 50% da pista de atendimento dos postos operar nesse modelo. “Ele não eliminaria de vez todas as oportunidades de emprego, mas daria a possibilidade de empregados, patrões e consumidores conhecerem e se adaptarem ao novo modelo”, afirma. Como referência, ele menciona o autoatendimento adotado em outros países e a expansão dos caixas automatizados nos supermercados, enfatizando que a tecnologia pode contribuir para modernizar as operações e enfrentar a escassez de mão de obra. “Vemos esse projeto com muito bons olhos”, conclui.

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